Arquivos da categoria: Cultura

"Kurt
Kurt Schwitters – 1920.

 

A jornada de um jornal
Um senhor toma um bonde depois de comprar um
jornal
e colocá-lo em baixo do braço.
Meia hora mais tarde desce com o mesmo
jornal
em baixo do mesmo braço.
Mas já não é o mesmo
jornal,
agora é um monte de
folhas impressas
que o senhor abandona em um banco de praça.
Tão logo só no banco da praça o monte de
folhas impressas
se converte novamente em
jornal,
até que um rapaz o veja,
o leia, o deixe convertido num monte de
folhas impressas.
Tão logo só no banco da praça o monte de
folhas impressas
se converte novamente em
jornal,
até que uma senhora o
encontre, o leia, e o deixe convertido em um monte de
folhas impressas.
Mas
ela o leva para a sua casa e no caminho o usa para empacotar meio quilo de acelga,
que é para que servem os
jornais
depois destas excitantes metamorfoses.

FIM.

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A preservação das lembranças – Cortázar para se ler no celular

blue-orange-red_1961

Os famas para preservar suas lembranças, as embalsamam da seguinte forma: logo que fixada a lembrança com todos os detalhes, as envolvem da cabeça aos pés com uma manta preta e as colocam contra a parede da sala com uma etiqueta: Excursão à Quilmes ou: Frank Sinatra.

Já os cronópios, seres calorosos e desorganizados, deixam as lembranças soltas pela casa, em constante algazarra, e andam no meio delas e quando uma passa correndo, a acariciam com suavidade e dizem: Não vá se machucar! e também: Cuidado com a escada!

É por isso que as casas dos famas são arrumadas e silenciosas enquanto as dos cronópios são uma bagunça com portas batendo.

Os vizinhos sempre se queixam dos cronópios e os famas, balançando a cabeça compreensivamente, vão verificar se as etiquetas (de suas lembranças) estão nos seus respectivos lugares.

(Imagem: Mark Rohtko – 1961)

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Revisitando Dr. Mill̫r РPsicanalista

Phobia
é
um medo
com
PhB

 

psicanalista

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Há 9.500 anos ele era venerado

        Quem era ele? Isto ninguém sabe.

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        Mas como era ele, agora já se sabe.

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http://news.nationalgeographic.com/2017/01/jericho-skull-neolithic-facial-reconstruction-archaeology-british-museum/

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Tina Modotti

O mastodôntico Diego Rivera e a pomba Frida Kahlo (ou seria o contrário?) pelas lentes e olhos da  fotógrafa e ativista italo-americana-mexicana Tina Modotti.

tina modoti_frida e diego

O que esta fotografia nos diz do ativismo político de Tina Modotti ou sobre Diego Rivera ou Frida Kahlo? Nada ou quase nada. A fotografia é apenas imobilidade e tempo.

 

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Como viver com mistérios na era do conhecimento

Mimmo Paladine para Ulysses de James Joyce

Mimmo Paladine para Ulysses de James Joyce

.

.

.

.

.

eu

(não)

sou

(não)

eu

.

.

 

 

(A partir de uma resenha crítica sobre Jacob Needleman e a oposição entre duas verdades).

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A Arte funda a História

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A Arte funda a História
(Martin Heidegger)
Somos produtos da, e submetidos à, cultura.
Cultura é costume, hábito, norma, regra, repetição não crítica, comunicação (pessoal ou de massa), as retóricas aceitas. As lógicas dos sistemas presentes.
A cultura nos parece ser o normal. O universalmente válido. A essência. A verdade.
A obra de arte (“enquanto exceção e singularidade solitária”) “é justamente uma condição rara e privilegiada de distanciamento crítico em relação à cultura”.
Cultura ̩ regra, arte ̩ exce̤̣o Р(Jean-Luc Godard).
O historiador fala das coisas que foram,
o poeta fala das coisas que poderiam ser
e sobretudo deveriam ser.
“Não é, Raana, que eu soe mais alto
Ou mais doce que os outros. É que eu
Sou um Poeta, e bebo vida
Como os homens menores bebem vinho.”
(Trovador proven̤al Рvia Ezra Pound?).
Os artistas ṣo a antena da ra̤a Р(Ezra Pound).
eu sou eu,
assino arte
(filosofia, ciência)
para além
da cultura e religião,
e seja o que Deus quiser.

 

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Não se deixe – Cortázar para se ler no celular

2015 – 100 anos de Cortázar
Ultimo Round – 1969

Não me vendo Augusto de Campos

Não me vendo
Augusto de Campos

É obvio que tentarão comprar todo poeta ou narrador de ideologia cuja literatura influencie as perspectivas do seu tempo; não é menos óbvio que é do escritor, e só dele, que depende de que isto não aconteça.

Por outro lado, será mais difícil e penoso impedir que seus correligionários e leitores (nem sempre são os mesmos), o submetam a toda a gama de extorsões emocionais e políticas para força-lo gentilmente a meter-se cada vez mais nas formas públicas e espetaculares “do seu compromisso”. Chegará um dia em que, mais do que livros, se reclamarão discursos, palestras, assinaturas, cartas abertas, debates, participação em congressos, política.

E assim, este equilíbrio delicado e preciso que permite seguir criando a sua obra, que alça voo, sem converter-se em monstro sagrado, ou o herói que exibem nas feiras da história cotidiana, torna-se o combate mais duro a que tem que se livrar o poeta ou narrador, para continuar a cumprir o seu compromisso, onde tem a sua razão de ser, de onde brota a sua folhagem.

Amarga e necessária moral: Não se deixe comprar, garoto, tão pouco vender.

 

Não me vendo Augusto de Campos

Não me vendo
Augusto de Campos

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Cabaré Voltaire – onde o Dadaísmo efetivamente existiu

DaDa Рum quase nada mas que fez toda uma diferen̤a. Durou apenas 5 meses.

“A palavra experimental não deve descrever um ato em termos de julgamento futuro quanto a seu sucesso ou fracasso, e sim ser aplicada a um ato cujo resultado seja desconhecido” – John Cage.

Cabaré Voltaire - Zurique

Cabar̩ Voltaire РZurique

http://cultura.estadao.com.br/noticias/artes,zurique-restaura-os-locais-por-onde-passram-os-artistas-dadaistas,10000019862

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O conteúdo não é um ponto de partida mas um ponto de chegada.

 

 


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Ecumênicos sine die – Cortázar para se ler no celular

2015 – 100 anos de Cortázar
Ultimo Round – 1969

lar-burgues-vitoriano

Les bourgeois c’est comme les cochons,
Plus que ca grandit, plus que ça devient con.

 

Os burgueses são como os porcos,
Tanto mais burros quanto mais gord(ric)os.
(canção francesa)

 

– Não senhor – dizia Polanco indignado -, não permitirei jamais que insultem assim aos burgueses. Note bem, são os autênticos cidadãos do mundo. – Como não? Um burguês venezuelano, um espanhol, um francês e um da Arábia Saudita estão muito mais unidos que um comunista chinês, um peruano e um russo. Estes e todos os comunistas que queiram, estarão separados para sempre pelo sempre mais acirrado nacionalismo. Por outro lado, os burgueses têm uma única pátria que é a burguesia, e dentro dela a distribuição dos móveis é idêntica: aqui a grana, ali a religião, acolá a moral sexual, mas para lá a camisa de listras.

Não lhes falta nada mais que falar latim para manter-se viva esta tão saudosa universalidade que segundo parece havia na Idade Média, mas que agora com as máquinas de traduzir, MacLuhan e o inglês prático em vinte lições, pronto, não vai haver mais problema, moleque.

 

Ecum̻nicos sine die РBrazil today

– Não senhor – dizia Polanco indignado -, não permitirei jamais que insultem assim aos coxinhas. Note bem, são os autênticos cidadãos do Brasil. – Como não? Um coxinha paulista, um carioca, um gaúcho e um do Mato Grosso estão muito mais unidos que um militante do PT, um do PCdoB e um sindicalista. Estes e todos os da coalizão do governo atual, todos que queiram, estarão separados para sempre pela sempre mais acirrada divergência ideológica ou programática. Por outro lado, os coxinhas têm uma única pátria que é o comportamento de coxinha, e dentro dela a distribuição dos móveis é idêntica: aqui a grana, ali o carro, acolá a moral sexual, mas para lá a camisa polo de marca (amarelinha ou rosinha).

Não lhes falta nada mais que falar um português correto para manter-se viva esta tão saudosa universalidade que segundo parece havia quando os tempos eram outros, mas que agora com os corretores de texto para aplicativos da Internet, MacLuhan e o Gestão da Imagem Pessoal em Dez Lições, pronto, não vai haver mais problema, moleque.

 

 

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