Arquivo da tag: Literatura

Tolicionário ou estupiditeca

Psiu - 1965 Augusto de  Campos

Psiu – 1965
Augusto de
Campos

“Rock and Roll” e poesia concreta são aspectos de um mesmo fenômeno: o de uma juventude  desorientada. Mário Newton Filho – Diário de Notícias. (17-3-1957).

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O conteúdo não é um ponto de partida mas um ponto de chegada.


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Cristal com uma rosa dentro – Cortázar para se ler no celular

2015 – 100 anos de Cortázar
Ultimo Round – 1969
cristal com rosa1O estado que definimos como distração poderia ser de alguma maneira uma forma diferente da atenção, sua manifestação simétrica mais profunda que se situa num outro plano da psique; atenção dirigida desde ou através, inclusive até, este nível mais profundo.
Não é incomum que uma pessoa dada a esses tipos de distrações (o que é chamado ficar comendo mosca) na presença sucessiva de vários fenômenos heterogêneos crê instantaneamente na apreensão de uma unicidade deslumbradora.
Na minha condição habitual de comedor de mosca, isso pode acontecer por uma série de eventos iniciados pelo som de uma porta se fechando, que precede ou é sobreposto ao sorriso da minha mulher, a memória de uma ruela em Antibes e a visão de uma rosa em um vaso, desencadeie uma imagem diferente de todos os elementos parciais,
completamente indiferentes aos possíveis nexos associativos ou causais, e que propõem
– nesse momento fulgural, irrepetível e já passado, e obscuro –
a antevisão de uma outra realidade que para mim já foi ruído de porta, sorriso e rosa, se constitui em algo totalmente diferente na sua essência e significado.
Vale notar que a imagem poética é uma representação dos elementos da realidade usual articulada de modo a que o seu sistema de relações favorece essa antevisão de uma outra realidade. A diferença é que o poeta é o manejador involuntário ou voluntário, mas sempre intencional desses elementos (intuir a nova articulação, escrever a imagem), enquanto que na vivência de comedor de mosca, a antevisão ocorre de forma passiva e fatal: a porta bate, alguém sorri, e o sujeito padece de um estranhamento instantâneo.cristal com rosa2
Pessoalmente me inclino para as duas formas, a mais ou menos intencional e a totalmente passiva, e é esta última que me arranca de mim mesmo com maior e força a me projeta para uma perspectiva da realidade em que, infelizmente, eu não sou capaz de fincar pé e permanecer.
Notar no exemplo, que os elementos da série: – porta batendo – sorriso – Antibes – rosa – deixam de ser o que conotam estes respectivos termos, sem que se possa saber o que passam a ser.
A descolagem ocorre um pouco como o fenômeno de déjà vu: iniciada a série, digamos: porta – sorriso – o que se segue (Antibes – rosa -) passa a ser parte da imagem total e deixam de valer em tanto que “Antibes” e “rosa”, uma vez que os elementos desencadeantes (porta – sorriso) se integram na imagem constituída. É como se estar diante de uma cristalização fulgurante, e se a percebermos desenvolver-se temporalmente:
1) porta, 2) sorriso, algo nos assegura irrefutavelmente que é só uma questão de condicionamento psicológico ou mediação no contínuo do espaço-tempo.
Na realidade tudo acontece (é) a cada vez: a “porta”, o “sorriso”, e o resto dos elementos que formam a imagem se propõem como facetas ou elos, como um relâmpago articulante que coagula o cristal em um suceder sem estar na duração. Impossível de reter, posto que estamos dentro.
Fica uma ansiedade, um tremor, uma vaga nostalgia. Algo estava lá, quiçá tão perto.
E não resta mais do que uma rosa em seu vaso, neste lado, onde
a rose is a rose is a rose
e nada mais.

Cortázar - por Manja Offerhaus

Cortázar – por Manja Offerhaus

a rose is a rose is a rose
(Gertrude Stein)

E o que é o ar.
O ar é lá.
O ar é lá no que há no ar.
Por gentileza observem que tudo é de uma só sílaba e pois útil. Não produz sentimento, contém uma promessa, é um prazer, não necessita estímulo, é só.
O ar é só
Sim o ar é só
Só de que
O ar é só de ar.
Sim
O ar
É só
De ar.
(Gertrude Stein por Augusto de Campos)

Gertrude Stein - por Man Ray (1927)

Gertrude Stein – por Man Ray (1927)

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Curtíssima metragem – Cortázar para ler e ver os “filminhos” no celular

2015 – 100 anos de Cortázar
Ultimo Round – 1969

cortissimo metraje

Curtíssima metragem

Motorista de férias cruza as montanhas do centro da França, entediado fora da cidade e da vida noturna. A moça faz o gesto costumeiro pedindo carona, timidamente perguntou se em direção de Beaune ou Tournus. Na estrada umas palavras, bonito perfil rosto moreno raramente pleno rosto, laconicamente às perguntas triviais, olhando para as coxas nuas contra assento vermelho. No final de uma curva o carro sai para fora da estrada e se perde no mais espesso. De soslaio observa como cruza as mãos sobre a minissaia enquanto o terror gradualmente. Sob as árvores uma profunda gruta vegetal onde se poderá, salta para fora do carro, a outra porta e brutalmente pelos ombros. A moça olha como se não, se deixa sair para fora do carro, sabendo que na solidão da floresta. O braço em volta da cintura para arrastá-la através das árvores, arma de bolso e fronte. Depois a carteira, verifica bem cheia, de brinde rouba o carro que abandona a poucos quilômetros de distância sem deixar a menor impressão digital porque nessa profissão não pode se descuidar.

 

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O tempo e os ventos da criação

Que interesses comuns levaram o jovem-marxista-homossexual Pier Paolo Pasolini (poeta e cineasta) a entrevistar o velho-fascista-heterosexual Ezra Pound (poeta) para a TV italiana?
Apenas o dinheiro de um trabalho sob encomenda?
A possibilidade de um confronto polêmico em busca de audiência?
O gosto comum por Dante?
Estas perguntas e o contexto todo, a fotografia não pode responder.
Só lhe é próprio a imobilidade e o tempo.

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Concretismo – Fase I

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Eu não tenho sido vil.

O Facebook é um ambiente idealizado onde cada um é o herói de si mesmo.

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Poema em linha reta

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

 

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Uma anti-teoria de poder contra os anti-partidos políticos

Há que se abandonar a teoria de
“vanguarda dirigente”
para a teoria mais simples e honrada de
minoria atuante
que desempenha o papel de fermento permanente,
que impulsiona a ação sem pretender dirigi-la.
Daniel Cohn-Bendit

As redes sociais e a facilidade de comunicação, associação por idéias ou valores e divulgação de conteúdos, sem intermediários, não seriam a plataforma operacional ideal para a constituição destas minorias atuantes? Será que não é um embrião disto – de forma imatura, desequilibrada e insensata, que estamos vendo acontecer? Não seria a coisa certa de modo errado?

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Poesia visual

Augusto de Campos

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16 de junho é o Bloom’s Day

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É num suposto dia 16 de junho que se desenrola a trama de Ulysses (de James Joyce)- o romance dos romances, possivelmente comparável apenas com Don Quixote (de Miguel de Cervantes) este, o protótipo- mor do romance: aventuras.
E o dia começou assim:
“Stately, plump Buck Mulligan came from the stairhead, bearing a bowl of lather on which a mirror and a razor lay crossed. A yellow dressinggown, ungirdled, was sustained gently behind him on the mild morning air. He held the bowl aloft and intoned:
—Introibo ad altare Dei.”

Trecho de: Joyce, James. “Ulysses.” iBooks.
Este material pode estar protegido por copyright.

“Você está pronto para mais um dia de aventuras?”

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Outro

Depois de um silêncio de 12 anos, Augusto de Campos vai lançar um volume inédito de poesia. Outro, com texto, capa, projeto e execução gráfica dele mesmo, está no prelo da Perspectiva e deve ficar pronto em cerca de três semanas. São 120 páginas de poemas visuais e indicações de clip-poemas – para serem vistos na internet. No prefácio, que o poeta, ensaísta e tradutor chamou de Outronão, ele relembra sua última coletânea de inéditos, Não, diz que, como Marianne Moore, não gosta de poesia, embora só saiba fazer isso, e escreve: “E é com este Outro, que pode ser também o último bônus de meu trabalho poético, que ouso ex-pôr estes novos poemas. Sobrevivente, para o bem ou para o mal, não posso deixar de completar o que comecei, o quanto me for possível”.

Curadoria: Estadão

http://cultura.estadao.com.br/blogs/babel/augusto-de-campos-apresenta-poemas-ineditos-em-outro/

Ps que falam_augusto de campos

 

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